O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, no lançamento da II Conferência Nacional de Educação (Conae) 2014,
a necessidade de destinar 100% dos royalties das novas concessões de exploração
de petróleo para o setor. Em seu discurso na solenidade, na qual assinou a
portaria ministerial de convocação da conferência, Mercadante reiterou que a medida
é imprescindível para garantir que o Plano Nacional da Educação (PNE), aprovado
pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, saia efetivamente do
papel.
por unanimidade sem que haja fonte de financiamento”, destacou. “É
ingenuidade pensar que os prefeitos vão passar o investimento em educação de
25% para 50% do orçamento dos municípios, comprometendo os outros setores, como
saúde e segurança. Se temos algum compromisso com o PNE, temos que indicar a
fonte. E qual é esta fonte? São os royalties do petróleo.” O ministro declarou ainda
que a presidenta Dilma Rousseff tomou uma decisão histórica com a medida
provisória determinando a destinação dos recursos.
Mercadante também conclamou os representantes do Fórum Nacional da
Educação (FNE) presentes, e também os movimentos sociais, a pressionar o
Congresso pela aprovação rápida do PNE, uma vez que, após o recesso, Senado e
Câmara só retomam o funcionamento normal em março. “Estive muito tempo naquela
Casa [Senado] para saber que votação de lei é igual a iogurte: tem prazo de
validade”, comentou o ministro.
“Esta conferência se realiza num momento histórico da educação no
Brasil. É a conferência que mais mobiliza a sociedade brasileira, que mais
estimula a participação. E por isso pode contribuir com a aprovação do PNE –
que teve uma tramitação muito lenta na Câmara, de um ano e meio – o mais
rapidamente possível”, enfatizou. “Sem mobilização não tem educação de
qualidade.”
Piso nacional
A fonte de recursos para a educação é fundamental, conforme Mercadante,
também para garantir a aplicação do piso nacional do magistério. O ministro já
tinha inclusive encerrado sua fala quando vez questão de retomar a palavra para
enfatizar a necessidade de valorização da categoria.
“Entendo que foi muito pesado para os municípios um reajuste de 22%.
Mas, ao mesmo tempo, o piso nacional equivale a dois salários mínimos. Não
podemos ter uma educação de qualidade se o salário inicial não for atrativo
para que os alunos busquem os cursos de licenciatura e se interessem pela
carreira. Temos essa luta também no Congresso. Limitar o reajuste do piso ao
INPC jamais terá o apoio do MEC.”
Políticas educacionais
Durante o ato solene de lançamento da Conae/2014, o titular do
Ministério da Educação aproveitou para frisar ações do Governo federal no
setor, como o Brasil Carinhoso, o Plano Nacional de Alfabetização na Idade
Certa, os investimentos necessários em infraestrutura escolar para ampliar o
ensino em tempo integral e até o Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico
e Emprego (Pronatec), com o qual a Contee tem divergências, por discordar da
destinação de recursos públicos para a iniciativa privada sem critérios claros
de controle público dos recursos.
Mercadante também saiu em defesa da política de cotas para ingresso no ensino superior. “Cerca de 58% dos alunos brasileiros estudam em escolas públicas. Por que não destinar 50% das vagas nas universidades para eles?”, questionou. “Em 1997, os negros representavam 0,5% dos estudantes das universidades públicas. Hoje eles são 10%, o que ainda é muito pouco. Esse país precisa sim de cotas na universidade. Não há como mudar a desigualdade sem políticas de inclusão, sem ações afirmativas.”
Mercadante também saiu em defesa da política de cotas para ingresso no ensino superior. “Cerca de 58% dos alunos brasileiros estudam em escolas públicas. Por que não destinar 50% das vagas nas universidades para eles?”, questionou. “Em 1997, os negros representavam 0,5% dos estudantes das universidades públicas. Hoje eles são 10%, o que ainda é muito pouco. Esse país precisa sim de cotas na universidade. Não há como mudar a desigualdade sem políticas de inclusão, sem ações afirmativas.”

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