Paulo Freire colaborou como
poucos na reflexão do homem e seu compromisso com a sociedade. Esta agitação de
ser homem é pensado no seu percurso reflexivo que permite ser objetivado na
medida em que, é passível de chegar aos espaços de formação de educadores, quer
na formação inicial, quer na formação em serviço, a fim de torná-los capazes de
transformações necessárias às práticas educativas e pedagógicas.
Influenciado por esses ideais,
Freire (1983, p.p. 94-97), aponta matrizes necessárias para conquistar ou chegar
à práxis através do diálogo.
São elas:
1. O amor ao mundo e aos homens
como um ato de criação e recriação.
2. A humildade, como qualidade
compatível com o diálogo.
3. A fé, como algo que se deve
instaurar antes mesmo que o diálogo aconteça, pois o homem precisa ter fé no
próprio homem. Não se trata aqui de um sentimento que fica no plano divinal,
mas de um fundamento que creia no poder de criar e recriar, fazer e refazer,
através da ação e reflexão.
4. A esperança, que se
caracteriza pela espera de algo que se luta.
5. A confiança, como consequência
óbvia do que se acredita enquanto se luta.
6. A criticidade, que percebe a
realidade como conflituosa, e inserida num contexto histórico que é dinâmico.
O modelo de educação proposto por
Paulo Freire se diferencia da educação tradicional, pois abomina dentre outras
coisas a dependência dominadora, que inclui dentre outras a relação de dominação
do educador sobre o educando.
Na ação educativa libertadora,
existe uma relação de troca horizontal entre educador e educando exigindo-se
nesta troca, atitude de transformação da realidade conhecida. É por isso, que a
educação libertadora é acima de tudo uma educação conscientizadora, na medida
em que além de conhecer a realidade, busca transformá-la, ou seja, tanto o
educador quanto o educando aprofundam seus conhecimentos em torno do mesmo
objeto cognoscível para poder intervir sobre ele.
Neste sentido, quanto mais se
articula o conhecimento frente ao mundo, mais os educandos se sentirão
desafiados a buscar respostas, e consequentemente quanto mais incitados, mais
serão levados a um estado de consciência crítica e transformadora frente à
realidade. Esta relação dialética é cada vez mais incorporada na medida em que,
educadores e educandos se fazem sujeitos do seu processo.
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